Esclarecimentos foram publicados em redes sociais da companhia
Após matéria veiculada pelo jornal Diário do Nordeste trazer informações inconsistentes sobre Tarifa de Contingência, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) respondeu, por meio de nota e também publicação nas redes sociais, com esclarecimentos sobre a Tarifa.
Abaixo, o texto publicado nas redes sociais.
Sobre matéria veiculada nesta quarta-feira (16), no jornal Diário do Nordeste, acerca da Tarifa de Contingência aplicada em Fortaleza e nos municípios da Região Metropolitana, a Cagece esclarece:
DA IMPORTÂNCIA DA TARIFA
A Tarifa de Contingência é um mecanismo aplicado em Fortaleza e nos municípios da Região Metropolitana que tem como objetivo estimular a redução do consumo de água. Os dados que são comumente compartilhados com a imprensa, demonstram que a Tarifa de Contingência tem conseguido equilibrar a redução do consumo. Graças à Tarifa de Contingência, o volume economizado acumulado até fevereiro deste ano é equivalente a 5,3 meses do consumo de Fortaleza. Portanto, a Tarifa de Contingência tem sido estratégica para evitar colapso no abastecimento, juntamente com outras ações relacionadas à redução de perdas e melhorias nos processos produtivos da água.
Apesar da matéria não apresentar o contexto adequado, a Cagece explica que a tarifa está vinculada diretamente ao estado de escassez hídrica que o Ceará atravessa e deverá permanecer enquanto esta situação perdurar. O que define este estado crítico é o Ato Declaratório 01/2015/SRH que dispõe sobre a declaração de situação de escassez hídrica em todo o estado do Ceará. Desse modo, a Tarifa de Contingência, respaldada pelo Ato Declaratório, continuará em vigor enquanto o Ato estiver vigente.
Apesar dos resultados da quadra chuvosa deste ano, a situação atual dos aportes nos reservatórios dos sistemas Jaguaribe e Metropolitano, que abastecem Fortaleza e RMF, é pior que a encontrada em 2015. Para se ter uma ideia, em 2015, quando foi publicado o Ato Declaratório, a situação de aporte dos reservatórios dos sistemas Jaguaribe e Metropolitano era de 16,41% da capacidade de reservação, hoje, esse percentual chega a apenas 9,56%. Informações sobre aportes são disponibilizadas no Portal Hidrológico do Ceará (www.hidro.gov.br) onde qualquer cidadão pode ter acesso.
De acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), para sair do estado crítico de escassez hídrica e entrar em uma condição mais segura de abastecimento, é necessário que os reservatórios do estado estejam com pelo menos 30% da capacidade de reservação, informação que, inclusive, já foi amplamente divulgada na imprensa, mas que não é contextualizada na matéria.
A Cagece reforça ainda que orientou o repórter que apurou a citada matéria a procurar a SRH para um maior detalhamento sobre as condições que mantêm o Ato Declaratório em vigor, tendo em vista ser o órgão competente para tais esclarecimentos. A companhia entende ainda que a matéria contém juízos de valor que vão além dos dados repassados pela fonte, demonstrando uma certa falta de conhecimento em relação à temática. Em resumo, não é viável discutir Tarifa de Contingência sem contextualizar a condição hídrica em que o Ceará se encontra.
A QUEM SE DESTINA
A Tarifa de Contingência estabelece a necessidade de redução de 20% no consumo de água, a partir da média calculada entre os meses de outubro de 2014 a setembro de 2015, conforme autorizado pelas agências reguladoras. Portanto, a tarifa é aplicada apenas aos clientes da Cagece que não reduzirem o consumo de água, conforme esta meta.
Dados de fevereiro mostram que 77% dos clientes da Cagece em Fortaleza e RMF consomem dentro da meta estabelecida. Ou seja, distante de qualquer efeito compulsório, como acontece com impostos, a tarifa também possui viés educativo que, inclusive, já foi compreendido para maioria da população, principalmente se considerarmos os resultados obtidos.
DA ARRECADAÇÃO E USO DO RECURSO
A matéria traz dados errados de arrecadação. Dos R$ 297 milhões arrecadados com tarifa até fevereiro deste ano, aproximadamente R$ 75 milhões foram destinados a impostos e R$ 154 milhões investidos nas ações de segurança hídrica. Restam aproximadamente R$ 68 milhões no saldo acumulado, que serão destinados a ações e obras relacionadas ao abastecimento de água em Fortaleza e Região Metropolitana.
A matéria também não explica, mas todo recurso da Tarifa de Contingência é destinado a uma conta especial que só é movimentada com autorização das Agências Reguladoras. O recurso da tarifa é destinado exclusivamente para ações e obras relacionadas à segurança hídrica. A Cagece dispõe ainda de um comitê que monitora diariamente o uso desses recursos.
Dentre as ações realizadas com os recursos da tarifa de contingência, cabe destacar: combate às fraudes na rede de água, incremento nas operações e nas equipes de retirada de vazamentos, busca e consolidação de novas fontes alternativas de água, melhorias nos sistemas de abastecimento, implantação de um sistema de captação pressurizada na ETA Gavião e de um sistema de reúso das águas de lavagem dos filtros da ETA Gavião.
Por fim, a Cagece reforça o compromisso com a população cearense no que diz respeito ao abastecimento humano e atua com a transparência necessária disponibilizando dados e fontes e canais de atendimento aos clientes. É fundamental que a população continue economizando água.
É importante ainda destacar a responsabilidade da imprensa ao informar, especialmente em um assunto de extrema importância como o abastecimento de água.